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segunda-feira, 5 de março de 2012

Redes sociais

Há alguns anos surgiu o conceito de redes sociais. Era então uma verdadeira febre. Pessoas se conheciam, se reencontravam, se despeitavam. As vidas passaram a ser um livro aberto. Pessoas que não tinham intimidade com os computadores se aproximaram deles. Fotos antigas se revelavam, enquanto novas surgiam apenas para popular os álbuns compartilhados. Novas palavras surgiram e uma nova cultura se deu. Houve uma época próspera, até que as banalizações começaram. Mensagens indesejadas, perfis falsos, apropriação de informações alheias. Fechamo-nos à novidade de outrora. De tão tomada por “delinquentes juvenis”, alguns decidiram abandonar o sistema. Ali não era lugar para pessoas sérias. Até que...
 
Surge uma nova rede social. Sendo novidade, destinam a ela a mesma carga de surpresa, admiração e seriedade reservada às coisas novas. “Essa é melhor!”, “Agora sim!”, “Você não tem?!?”. Depositam ali todas as informações da vida pessoal e depois passam a chave (ou ao menos acreditam fazer isso), sem saber que o perigo está do lado de dentro. De tantas restrições que alguns se valem, deterioram o adjetivo que caracteriza o sistema, de modo que melhor seria chamá-lo de anti-social. Apesar disso, ressurgem os encontros, desencontros, mal-assombros. Vem novas fotos, antigas, palavras, o filme todo novamente.
 
A nova rede tem como principal vantagem pegar carona nos (muitas vezes irritantes) apetrechos eletrônicos carregados a todo lugar. Assim, invade todos os ambientes que fazem parte das vidas das pessoas: casa, escola, trabalho. Como se não bastasse, irrompem também em meio a nossas atividades, comezinhas ou não: ver televisão, conversar com amigos num bar, praticar esportes. Aproximam-se assim do sonho da multipresença, podendo estar em diferentes lugares ao mesmo tempo, com real desvantagem para a localização no mundo real. O aparelhinho toma toda a atenção, encarnando o próprio sistema. Alguns lhe reservam um assento à mesa, um espaço na cama e até mesmo um lugar de destaque na vida.
 
Até mesmo aqueles que abominavam a primeira rede se renderam à recém-chegada. Pensam que aqueles que “deturparam” aquela não “desvirtuarão” esta também. Na verdade, passaram por um processo de condicionamento à nova realidade.
 
Assim seguem felizes, como cidadãos de ordem superior. Creditam à novidade toda sua felicidade, quando na verdade foram eles que encontraram um novo motivo para exercerem o direito de serem felizes. Receberam de braços abertos recursos que já existiam, travestidos de novo. Fizeram festa, tocaram música, rajaram fogos. Até que...
 
Por fim o tempo tragará a manta de novidade, e essa rede será levada ao destino das coisas antigas. Será execrada pelos seus antes fieis seguidores. Picharão seus paineis e lhe atirarão pedras. Surgirá então uma nova rede, e todos voltarão a se alegrar. Virá novamente a busca por conhecidos de perto, sumidos de longe e, talvez, novas amizades. Fotos idem, palavras também, num eterno carrossel que nós mesmos fazemos girar.
 
E assim caminham os internautas.

sábado, 3 de março de 2012

Vida

(Dedicado a todos que, como eu, perderam alguém próximo)

O que é a vida? O que dela levamos? Como devemos passar nossos poucos dias sobre a terra? Como quase tudo, dispensamos-lhe tão pouca atenção... Vivemo-la muitas vezes à toa, mesmo desconhecendo nosso futuro. Mas a verdade, imutável, é que estamos a sua mercê, e cada dia que vemos nascer o Sol e rendê-lo a Lua é uma dádiva que se nos dá.

Ardis a vida arma para todos, no mais assombroso exemplo de indiscriminação. Não há um sequer, pobre ou rico, preto ou branco, homem ou mulher, jovem ou velho, sábio ou indouto, para o qual ela reserve tratamento distinto. Sua inexorabilidade é titã. É apenas quando ela nos visita que percebemos o quão desprevenidos estamos, ao nos espantarmos com a mensagem de uma fatalidade. E quão pungente é ter confirmada a péssima notícia. Custa-nos acreditar em tais fatos, pois a ceifa da vida é natural para os velhos e cansados, mas como associá-la a um jovem cheio de sonhos? Como aceitar que não tivemos tempo de falar certas coisas, fazer algumas outras? Parece-nos que todo o tempo foi muito pouco, quando na verdade poucas foram nossas atitudes.

A brevidade da vida é algo que nos espanta. De minha parte, a cada dia que vivo me dou conta disso. Umas vidas são mais breves que outras, e quem dera que as menos fecundas perecessem primeiro. Mas quem somos nós para tomarmos o passado e o presente por futuro? Quem sabe se o mau não se torna bom, ou se o justo converte-se em ímpio? Talvez a vida antecipe os fatos. Mas, e se não for? Como seria a continuação da vida interrompida? Seria boa? Seria má? Feliz? Quem sabe frustrada... A dúvida nos atormenta e sempre será nossa indesejável companheira.

Presume-se que o temor da morte seja fortalecido pelas incertezas do além. Enquanto há vida, podemos nos acercar de outrem, correr em socorro, trocar cartas. Mesmo a distância apequena-se quando há vida. Sua ausência, no entanto, desencadeia nossos temores do “para sempre”. Não o “para sempre” do regozijo dos contos, mas o da amarga separação que não queríamos, agravada quando pegos de assalto.

É essa incerteza que nos faz ter tantas crenças para o pós-vida. Mas qual é a escorreita? Afinal, quem de lá voltou para corroborar alguma? Flutuamos ao sabor da diversidade, e isso apenas é bom porque orientamos nossas ações baseados no que acreditamos que nos aguarda. Ou simplesmente centramos na subsistência de nossa matéria a duração etérea da existência.

Quanto aos que se foram, basta que deles lembremos ternamente, oxalá sem comiseração, purificados como ocorre quando se sai dessa vida. Aos bons, o consolo de que a catarse da passagem não será necessária, pois foram benquistos em vida. A nós, resta-nos descobrir nossos próprios caminhos e guiarmo-nos através deles para o fim certo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Em defesa de Justin

Se você é um desses que torcem o nariz ao ouvir falar de Justin Bieber, tenho uma pergunta pra você: o que exatamente você não gosta nele? Aceito várias respostas: você pode não gostar do tipo de música. Ok, é voltada para o público adolescente. Você pode achar as letras vazias. Aceito (mas se você ouve a maioria das músicas brasileiras que aí estão sua ponderação está anulada). Você tem inveja. Perfeitamente. Com bem menos idade ele alcançou o que talvez você nunca vá alcançar na vida inteira. Você tem vergonha de afirmar que gosta de suas músicas. Tudo bem, é normal não querer ser azucrinado pelos colegas. Você questiona sua orientação sexual. Isso não é problema seu. Talvez você devesse procurar outras formas de não questionar a sua própria. Mas se você tem por argumento a afirmação que ele não canta bem, então tenho que intervir.
 
Que tal questionarmos seu conhecimento em música (mais especificamente na área referente ao canto)? Você sabe o que é impostação? Registro de peito? De cabeça? Já ouviu falar em meia-voz e falsete? Que tal melismas? Vibrato é algo estranho pra você? Conhece execução a cappella? Consegue diferenciar um tenor de um barítono? A composição vocal do canto black (dica: sem o baixo) lhe é peculiar? Pode definir scat? E o yodel? Você acha que isso é uma doença?
 
Caso você tenha titubeado nos questionamentos acima, arremato: você ainda acha que tem autoridade para afirmar se alguém canta bem ou não? Claro, você pode gostar ou não de uma voz, mas daí a destratá-la unicamente por sua falta de conhecimento é ser ignorante duas vezes. Já nos bastam os ridículos e desprezíveis shows de calouros de nossa televisão, que se valem de critérios os mais escusos e distantes da música para pontuar os concorrentes.
 
Da próxima vez que você abrir a boca para falar de alguém que canta bem ou mal, é melhor que tenha bons argumentos a apresentar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os brasileiros e a leitura

Há alguns dias li em uma revista de grande circulação nacional uma reportagem sobre a ascensão da compra de livros no Brasil. Compra e publicação. Os números apresentados na matéria referentes a essas duas ações são utilizados, em determinado momento, para quantificar os leitores de nossa terra. Será?

Lembro que há alguns anos o livro O Universo numa Casca de Noz (de Stephen Hawking) figurou durante várias semanas na lista de best-sellers nacional. Embora utilizasse uma linguagem simples (até onde possível) e belas ilustrações (que não merecem ser classificadas de outra forma que não perfeitas) para falar sobre teorias modernas (e complexas) da física, certamente foi um (ou senão o) dos livros menos lidos do ano. Compreendo que não é uma leitura fácil (pois o li), mas decerto essa prática de comprar livros para enfeitar estantes não se restringiu somente a ele.

Dos milhões de livros comprados pela nossa gente, não me espantaria se ao menos a metade permanecesse com as páginas virgens, empoeirasse e mofasse pelos cantos, ou servisse apenas como guarda-papeis para pessoas em trânsito. Ou ainda – tolice das tolices – para ostentação. Quem é adepto dessa última prática deveria saber que a utilidade do livro só se revela depois de lido, nunca antes, ainda que para fins escusos.

Na mesma reportagem é descrito um critério adotado atualmente para confecção de livros. Devem ter capítulos pequenos e letras grandes. Seria para facilitar a leitura? Claro que não. Esse é um método utilizado para cativar os “leitores” (traduzindo: vender). É uma maneira encontrada para evitar que os livros não convençam enquanto nas prateleiras e, uma vez levados para casa, consigam instigar o leitor a percorrer todas as páginas (algo menos importante). Isso porque, na prática, o Brasil está aprendendo a ler agora, depois de cinco séculos de vida. Tal qual uma criança mimada que tem que ser afagada por fazer o que é certo, ou um animal em adestração que é premiado a cada ordem cumprida, nosso leitores apenas leem os livros que “se comportam”, atendendo a seus critérios, com letras grandes e poucas páginas, a fim de acelerar o término da leitura

Lembro de um texto, A Árvore de Beto. Um texto pequeno, em torno de vinte e poucas linhas, mais ou menos. Acreditava que este era o mais longo texto do livro da segunda série – que era do meu irmão do meio. Depois de ter lido todos os outros textos, incluindo o do cavalo de fogo e a montanha de vidro e o da onça e da raposa, que eram tão longos quanto, finalmente muni-me de coragem e, numa determinada manhã, li-o. Ao final, o chamado de minha mãe para o café e a sensação de que a barreira vencida – que ofereceu pouca resistência – abriu um universo de possibilidades. Textos compridos poderiam ser lidos por mim. Isso foi antes de eu ingressar na escola.

Esses livros dos primeiros anos traziam letras grandes, parágrafos curtos e linguagem simples (embora tenha aprendido a palavra “baldio” nesse texto). Também vinham diagramados em colunas pouco largas e acompanhados de desenhos para incitar o gosto pela leitura nos pequenos. É curioso ver que hoje esses mesmos recursos, com poucas variações, são utilizados para incentivar também os leitores de muita idade.

Minha esperança é que, a partir desse momento de leitura incipiente que ora vivemos, possam surgir verdadeiros leitores. Pessoas que leem pelo prazer de ler, pela sede de conhecimento, e não apenas procuram títulos fáceis que discorrem sobre obviedades e coisas inúteis. Que conheçam os clássicos, mesmo os de letras miúdas, e possam se libertar do julgo da indústria livreira (longe de ser literária), trilhando caminhos próprios que achem devidos.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Saudade


Saudade não é distância
Saudade é separação
Saudade não é não ter
Saudade é não ter como
Saudade é uma música antiga
que a gente gosta de lembrar
Saudade são palavras que ouvimos
e não queremos esquecer
O tempo é o responsável
por trazer tanta saudade
A saudade é a encarregada
de nos trazer tanta tristeza
Tudo que hoje existe
será um dia saudade
Todos que hoje vivem
serão um dia saudosos
Só sente pouca saudade
quem também pouco viveu
Quem, dando, não se deu
Viu, mas não olhou
Quem tocou e não sentiu
Tentou, mas não sorriu
Aquele que sente saudade
carrega algo no peito
Cicatrizes de um viver intenso
ou lamento por algo não feito
Saudade é um sentimento
que visita nosso passado
e nos mostra que o presente
tem que ser aproveitado

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Criatividade


“Sejamos criativos!”, proclamam aqueles que ganham dinheiro fácil com palestras vazias em empresas moderninhas. Apenas repetem mantras ditados por supostos gurus da criatividade. Gente cujo auge criativo foi desenvolver uma forma de ganhar bastante dinheiro à custa da falta de esclarecimento dos outros.

É inegável que criatividade é uma característica extremamente importante seja qual for a situação. Também não se pode dizer que o mundo seria o que é hoje se não fossem gênios criativos que surgem cada qual à sua época e em sua área. Mas o que certamente é discutível é o atual discurso de que todos podem ser habilidosos criadores. Dizem que basta responder a um questionário quando em face de um problema que teremos uma inovação. É claro que sempre podemos fazer as perguntas certas, mas isso não garante que obtenhamos as respostas devidas.

Várias são as teorias sobre inteligência, desenvolvidas ao longo dos séculos. Não vou discorrer sobre nenhuma delas, mesmo porque não há nenhuma que seja conclusiva, uma vez que não há como ter certeza de nada a esse respeito. Isso abre precedentes para que praticamente qualquer um tenha sua própria ideia do que seja inteligência. Eu mesmo tenho algo pensado a esse respeito.

Primeiramente, afirmo que concordo com a teoria das inteligências múltiplas de Gardner (até mesmo porque a idealizei antes de tomar conhecimento de que alguém já a havia estabelecido), mas em minha visão ela seria um segundo nível no universo das habilidades cognitivas. No primeiro nível estariam dois tipos de inteligência: uma assimilativa e outra criativa. A primeira seria responsável por permitir que uma pessoa aprenda coisas que lhe sejam ensinadas, enquanto a segunda possibilita que alguém crie algo que não existe (baseado ou não em conhecimentos e/ou experiências adquirido(a)s). Ora, qualquer um pode aprender os fundamentos da aritmética, mas nem todos poderiam desenvolver o cálculo diferencial e integral de Newton/Leibniz. Todos podem dominar seu idioma materno, mas bem poucos rivalizam com Saussure (fundador da linguística como ciência). Muitos aprendem a tocar um instrumento, mas quase ninguém alcança o status de um Schoenberg (pai do dodecafonismo). Todos eles foram gênios criativos que derrubaram barreiras em suas áreas para estabelecer novos marcos a serem ampliados por gênios futuros. Afirmar que qualquer um pode alcançar esses feitos é no mínimo irresponsável.

Obviamente, é possível estimular cada um desses dois tipos de inteligência. Inclusive é perfeitamente factível que uma mente comum aplicada com afinco supere uma mente brilhante ociosa. Mas devemos lembrar que isso é exceção, e não regra. Não podemos nos iludir que teremos ideias milionárias abraçando árvores (prática comum em palestras corporativas “criativas”). Embora importante, não se pode garantir que acumulando conhecimento de áreas distintas encontraremos a solução de grandes problemas – quanto de conhecimento é necessário para perceber que se pode utilizar uma garrafa PET cheia de água como lâmpada? Ou que basta alargar a abertura de um tubo de creme dental para aumentar seu consumo? O caminho mais fácil para a não-frustração é a conformação. Você pode até “descobrir-se” criativo, mas isso porque finalmente saiu do marasmo intelectual, e não porque seu cérebro de repente começou a fazer sinapses mágicas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os brasileiros e a Música

A relação dos brasileiros com a música é controversa. Bastante. Somos conhecidos como um país musical, mas, contraditoriamente, não temos artistas internacionais ou músicas conhecidas no exterior (salvo raríssimas exceções). E, mesmo quando ocorrem, são pontuais e passageiros. Costumo dizer que os brasileiros não fazem música; eles a usam. Usam-na para protestar, usam-na para divulgar um modo de vida, apenas animar festas ou conseguir parceiros sexuais.
 
Há três conceitos fundamentais em música: melodia, harmonia e ritmo. Podemos ouvir música de modo distinto tomando como base cada um desses elementos constitutivos. Podemos nos deixar levar pela pulsação se atentarmos principalmente ao ritmo. Podemos nos guiar por sentimentos diversos se nos ligarmos à melodia. Ou podemos apreciar a complexidade da música se ouvirmos conscientemente a harmonia apresentada. No Brasil, o público apresenta bastante dificuldade em ouvir da última forma e não se decide sobre a segunda, além de exagerar na primeira.
 
Por aqui predomina a noção de que uma música é bonita se tem uma letra bonita, independentemente de se quem a executa é um cantor medíocre ou músico sofrível. Além de ser uma das maiores bobagens musicais já proferidas, essa ideia não resiste aos argumentos mais simples. Primeiro, se você tem que entender a letra para gostar de uma música, por que então as músicas estrangeiras fazem mais sucesso do que as nacionais, quando é sabido que os brasileiros não sabem inglês? Em segundo lugar, se uma música tem que ter letra para ser apreciada, que dizer das músicas instrumentais? Devemos jogar todas fora? Banir a música clássica? Por último, se a letra é tão importante assim, qual o motivo de as canções de maior audiência serem justamente aquelas desprovidas de conteúdo, que se valem de cacofonias, letras vazias ou sem sentido e obscenidades?
 
É comum se ver por aí pessoas que se esforçam “contra sua natureza” para ouvir músicas mais elaboradas, mas, na primeira oportunidade, rendem-se à sua “condição normal”, ouvindo o pior que existe em nossa produção musical. Os estilos puramente rítmicos são os preferidos, por não exigirem esforço mental algum. No máximo, uma letra que fala de amenidades, embora a maioria atualmente apenas banaliza o sexo.
 
Não defendo que as canções tenham que ter uma letra elaborada. A propósito, letras são a última coisa que analiso quando ouço uma música. Naturalmente, uma boa letra dá um brilho especial à música, mas o universo musical é bastante rico para necessitar que se lhe empreste sentido através de letras. A mágica dos sons fala por si mesma.
 
Com alguma pesquisa e observação podemos encontrar estilos musicais desenvolvidos em nossa terra, mas é triste perceber que os últimos de que tenho notícia não passam de mercadoria sem valor, produto para massas. Obviamente, deve haver estilos os mais diversos, para cada situação e para cada segmento social (em sociedades que assim o exigem), afinal, a música serve a todos e todos têm direito a ela. Mas bom seria se a decisão do que ouvir fosse motivada por nosso arbítrio, e não por limitação intelectual.
 
Há ainda aqui aqueles que se gabam por se auto-afirmarem ecléticos, quando na verdade melhor seria classificá-los como pessoas sem critérios. Há uma diferença entre ouvir tudo e ouvir de tudo. Os verdadeiros ecléticos não são depósitos musicais que tudo aceitam sem a mínima avaliação. São antes pessoas capazes de se despir de pré-julgamentos e pressões externas pelo prazer de desfrutar a incrível gama musical que nos é oferecida.
 
Enquanto não entendermos que a Música (sim, com M maiúsculo) é uma arte belíssima, continuaremos à mercê da ignorância que faz progredir a multiplicação da pífia musicalidade que ora se nos aparece. Devemos ter mais respeito a essa arte, e não apenas usá-la para obter privilégios fúteis.